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Rios e Cidades

Wiltaquino

Nos vales dos rios inúmeras cidades surgiram e cresceram, e a trajetória desse crescimento quase sempre não correspondeu a gentileza que a natureza nos legou. Da mesma forma que em torno deles grandes civilizações se constituíram e aprenderam a preservá-los, outras passaram a considerar a sua presença como um estorvo e, após longo processo de degradação, perderam a capacidade de uso de boa parte dos seus recursos. O custo para recuperar o seu potencial é alto.

No livro "Rios e Cidades: Ruptura e Conciliação" Maria Cecilia Barbieri Gorski descreve a importância dos rios no surgimento de grandes cidades.

Rio Danúbio em Budapeste Foto:Nikolas Oikonomou

“O rio permeia as manifestações culturais da mitologia, da história, da literatura, da música, da religião, da filosofia, da pintura, da escultura e do cinema. Para diversas civilizações, sua presença foi, historicamente, sinônimo de riqueza e poder, mas também, por outro lado, de fúria, de força da natureza, tendo potencial destruidor e catastrófico, trazendo doenças, arrasando cidades e dizimando populações.

A lógica norteadora de inúmeras civilizações antigas na seleção do sítio para estabelecer suas aldeias foi a proximidade da água, quer seja por razões funcionais, estratégicas, culturais ou patrimoniais.

A Mesopotâmia, por exemplo, como o nome já explicita, foi construída entre os rios Tigre e Eufrates, e há também as cidades egípcias nas imediações do Nilo, as cidades da civilização greco-romana, junto à bacia do Mediterrâneo e ao rio Tibre, as civilizações orientais nas imediações do Himalaia, as cidades medievais europeias - Londres, ao longo do Tâmisa; Paris, ao longo do Sena; Viena, ao longo do Danúbio; Praga, ao longo do Vlatva.”.

Um passeio, nas asas dos aviões da Panair, por algumas dessas cidades que coexistem com seus rios exuberantes.


Nas asas dos aviões da Panair...

"a maior das maravilhas foi voando sobre o mundo

nas asas da Panair"

Saudade dos aviões da Panair - Milton Nascimento e Fernando Brant

LP Milton Nascimento e Guerra Peixe (1988) – Faixa 2 - IMMuB



Rio Danúbio

O Danúbio atravessa o continente europeu desde a nascente na Alemanha até o Mar Negro na Romênia. Além desses países, também compartilham as suas águas em seus diversos usos, a Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Bulgária e Ucrânia. Às suas margens escoam produtos pelos importantes portos de Belgrado, Budapeste, Viena e Regensburg.

Fotos WikimediaCommons (Jakub Hałun, Kiwiev, Michael Gäbler e Diego Celso)


Rio Douro

A cidade do Porto, reconhecida como Patrimônio Mundial, foi construída com vista para a foz do rio Douro e é uma excelente paisagem urbana com 2.000 anos de história.

Fotos: Wikimedia Commons (Diego Celso e Miguel Proença)


Rio Tejo

Fotos Wikimedia Commons (Vitor Oliveira 1,2 e 4 - Janko Hoener 3)


O Tejo é mais belo

Fernando Pessoa


"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada

Quem está ao pé dele está só ao pé dele."

O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)


Rio Congo

Crianças em Brazzaville, República do Congo, olham para Kinshasa na República Democrática do Congo. O rio Congo e séculos do colonialismo continuam a separá-las. Apesar de suas diferenças, os 15 milhões de pessoas em ambas as cidades estão inexoravelmente juntos.

Fotos: The Guardian e Wikimedia Commons (Steev P)


Al Otro Lado Del Rio

Jorge Drexler


"Clavo mi remo en el agua

Llevo tu remo en el mío

Creo que he visto una luz al otro lado del río

El día le irá pudiendo

Poco a poco al frío

Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido

Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro

Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo

Lo que no es presa es baldío

Creo que he visto una luz al otro lado del río

Yo muy serio voy remando

Muy adentro sonrío

Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido

Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío"


Rio Sena

“O Rio Sena, em Paris, foi degradado por conta da poluição industrial, situação comum a outros rios europeus. Neste caso, porém houve um agravante: o recebimento de esgoto doméstico.

Por conta de seu estado lastimável, desde a década de 1920 o Sena é alvo de preocupações ambientais. Mas foi apenas em 1960 que os franceses passaram a investir na revitalização do local construindo estações de tratamento de esgoto.”

Fonte: Archdaily - Rios Urbanos

Fotos: Domínio Público - F. de la Mure


Canais de Amsterdã

O conjunto urbano histórico do distrito dos canais de Amsterdã, reconhecido como Patrimônio Mundial, é composto por uma rede de canais a oeste e a sul do centro histórico da cidade e do porto medieval e formam um conjunto urbano homogêneo. Esse modelo de urbanismo em grande escala serviu como referência em todo o mundo até o século XIX.

Fonte: UNESCO

Fotos: 1 Unesco (Robert de Jong) - 2,3 e 4 Wikimedia Commons (Dietmar Rabich)


Rio Amstel

Além de batizar a cidade, há mais de 800 anos as correntes represadas do rio Amstel fornecem água e transporte para Amsterdã. Várias outras cidades surgiram ao seu redor, da mesma forma importantes construções do patrimônio nacional são preservados ao longo do seu curso, que serviu de inspiração para Rembrandt e Mondrian.


Rembrandt e Mondrian

Rio Amstel com os traços de Rembrandt e Mondrian.


Rio Neretva

Rio Neretva e a Ponte Velha do Centro Histórico de Mostar em Herzegovina-Neretva Canton na Bósnia e Herzegovina.

A área da Ponte Velha, com suas características arquitetônicas pré-otomanas, otomanas orientais, mediterrâneas e da Europa Ocidental, é exemplo de assentamento urbano multicultural.

Fonte: UNESCO

Fotos: Unesco (Silvan Rehfeld), Wikimedia Commons (Dennis Jarvis)


Rio Tâmisa

O rio Tâmisa na Inglaterra tem sido uma importante rota comercial ao longo de sua história. Antes da construção do sistema de esgoto de Londres, parte do resíduo da cidade era despejado no rio e o seu fedor já foi tão forte que provocou em 1958 a suspensão do Parlamento. O contínuo investimento na despoluição de suas águas garantiu a possibilidade atual da utilização do rio com os seus múltiplos usos.


Thames Barrier

As ondas da maré no rio Tâmisa já provaram no passado o potencial catastrófico para a infraestrutura subterrânea, os edifícios e a população de Londres. A Barreira do Tamisa em Silvertown, concluída em 1982, é uma das defesas contra as inundações.

Ela consiste em 10 portões móveis separados por pilares. Cada portão tem uma face curva que fica em uma câmara rebaixada no leito do rio quando a barreira está totalmente aberta. Quando necessário, os portões giram 90° para a posição fechada, bloqueando o caminho da maré.

Fotos: New Civil Engineer, Wikimedia Commons (Mechtraveller) e Britannica


"Millenium Bridge"

A ponte de pedestre sobre o rio Tâmisa na cidade de Londres é projeto de Norman Foster.

Fotos: Wikimedia Commons (Acabashi e Jan Kameníček)


Claude Monet

The Thames at Westminster - Claude Monet (1871) - National Gallery, London

O rio, a Ponte de Westminster e o Parlamento na arte magistral de Claude Monet (Ibiblio)


Rio Tibre

Personagem importante no mito da fundação de Roma, ao rio Tibre a cidade deve a sua existência.


Rômulo e Remo

 

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